Pesquisa da Unifesp investiga potencial da tecnologia REAC no cuidado de pacientes com síndrome pós-pólioNeuromodulaçãoPós-PólioPesquisa da Unifesp investiga potencial da tecnologia REAC no cuidado de pacientes com síndrome pós-pólio

Pesquisa da Unifesp investiga potencial da tecnologia REAC no cuidado de pacientes com síndrome pós-pólio

Estudo investiga os efeitos da neuromodulação em pacientes com doença neuromuscular

A busca por alternativas terapêuticas que contribuam para a melhoria da qualidade de vida de pessoas com doenças neuromusculares tem impulsionado novas linhas de investigação científica no Brasil. Na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), pesquisadores da Escola Paulista de Medicina desenvolvem um estudo sobre a tecnologia REAC (Radio Electric Asymmetric Conveyer). O objetivo é avaliar seus efeitos em pacientes com síndrome pós-pólio.

A pesquisa é conduzida pelo neurologista Acary Souza Bulle Oliveira, professor da Unifesp e especialista em doenças neuromusculares. Ao longo de sua carreira, o médico acompanhou pacientes que, anos após a infecção pelo vírus da poliomielite, passaram a apresentar novos sintomas, como fraqueza muscular progressiva, fadiga intensa, dores musculares e articulares, intolerância ao frio e alterações do sono.

“Esses pacientes frequentemente necessitam de acompanhamento multidisciplinar, envolvendo fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, apoio psicológico e diferentes abordagens medicamentosas. Embora muitas dessas estratégias promovam benefícios, o controle dos sintomas costuma ser apenas parcial”, explica o pesquisador.

Do cuidado clínico à pesquisa científica

Foi nesse contexto que surgiu o interesse em investigar a tecnologia REAC como uma possibilidade complementar dentro do cuidado oferecido a esses indivíduos. Em uma primeira etapa da pesquisa, a equipe incorporou a tecnologia ao acompanhamento clínico já realizado, sem modificar as demais intervenções adotadas pelos pacientes. Segundo o neurologista, os resultados observados inicialmente apontaram uma melhora funcional importante. Nesse sentido, os principais benefícios foram observados na motricidade e na redução de sintomas como mialgia, artralgia e distúrbios do sono.

“Inicialmente, achei que pudesse haver certo exagero em relação ao potencial da tecnologia. Mas tivemos a oportunidade de incluí-la como mais uma possibilidade terapêutica, e os resultados observados despertaram nosso interesse científico para aprofundar essa investigação”, relata Acary.

Estudo duplo-cego busca confirmar os resultados

A partir dessas observações preliminares, o estudo avançou para uma fase metodologicamente mais rigorosa. Atualmente, a pesquisa é conduzida no formato duplo-cego e randomizado, considerado um dos padrões mais robustos para a avaliação de intervenções terapêuticas.

Os participantes são divididos em dois grupos: um recebe o protocolo com a tecnologia REAC e o outro é submetido a um procedimento placebo (sham). Nem os pacientes nem os profissionais responsáveis pelas avaliações sabem a qual grupo cada participante pertence durante a condução do estudo.

“Como estamos em uma universidade, a pesquisa precisa ser extremamente criteriosa. É fundamental que os resultados sejam obtidos com metodologia adequada, sem interferências que comprometam a validade científica das conclusões”, destaca o neurologista.

Embora os dados finais ainda estejam em fase de coleta e análise, algumas observações clínicas têm chamado a atenção dos pesquisadores, incluindo a possível redução da necessidade de determinados medicamentos utilizados pelos participantes ao longo do acompanhamento.

Dessa forma, a conclusão do estudo deverá ampliar o conhecimento científico sobre a neuromodulação em doenças neuromusculares. Ao mesmo tempo, fornecerá subsídios para futuras pesquisas e para a avaliação do potencial terapêutico da tecnologia REAC em diferentes contextos clínicos.

Para a ASMED, iniciativas como essa reforçam a importância do investimento contínuo em pesquisas desenvolvidas em instituições acadêmicas de excelência. Assim, a produção de evidências científicas consistentes é essencial para validar novas abordagens terapêuticas, ampliar as possibilidades de cuidado aos pacientes e promover a incorporação responsável de tecnologias inovadoras na prática clínica.