Tratamento com tecnologia REAC mostra eficácia no controle do transtorno bipolarUncategorizedTratamento com tecnologia REAC mostra eficácia no controle do transtorno bipolar

Tratamento com tecnologia REAC mostra eficácia no controle do transtorno bipolar

Um estudo científico publicado na Neuropsychiatric Disease and Treatment aponta resultados promissores para o uso da tecnologia REAC (Radio Electric Asymmetric Conveyor) no tratamento de longo prazo do transtorno bipolar.

A pesquisa Long-term treatment of bipolar disorder with a radioelectric asymmetric conveyor avaliou a eficácia da estimulação cerebral por REAC associada ao uso de lítio em pacientes com bipolaridade dos tipos I e II, revelando uma redução significativa nos episódios de mania e depressão, além de menor risco de recaídas.

A neuromodulação com a tecnologia REAC atua reequilibrando os campos bioelétricos endógenos do cérebro. O objetivo é otimizar a comunicação neuronal, promovendo maior estabilidade das funções cerebrais envolvidas nos transtornos do humor.

Associação do lítio ao tratamento

No estudo, o lítio foi utilizado em associação à tecnologia REAC como parte do protocolo terapêutico para pacientes com transtorno bipolar dos tipos I e II. O tratamento combinado, denominado REAC-lítio, seguiu o protocolo padrão do Instituto Rinaldi-Fontani, permitindo a administração de tratamentos adicionais apenas em caso de recorrência de episódios maníacos ou depressivos. 

Antes da introdução da tecnologia REAC, os pacientes do estudo seguiam tratamento com lítio de forma isolada. Apesar de ser considerado o padrão ouro no manejo do transtorno bipolar, muitos pacientes apresentavam recaídas frequentes, com múltiplos episódios de mania ou depressão ao longo do ano, além de necessitarem de internações hospitalares para estabilização clínica.

A duração prolongada do estudo, com períodos de observação entre 16 e 30 meses, foi essencial para avaliar não apenas os efeitos imediatos da associação entre REAC e lítio, mas principalmente sua eficácia sustentada ao longo do tempo. Transtornos como o bipolar apresentam flutuações cíclicas e complexas, com períodos de estabilidade intercalados por recaídas. Por isso, um acompanhamento mais longo é fundamental para identificar com maior precisão se o tratamento promove remissões duradouras e reduz a frequência de episódios. Além disso, ele ajuda a avaliar se evita hospitalizações, fornecendo evidências mais robustas sobre o impacto real da tecnologia na prática clínica.

Reac e o transtorno bipolar

A pesquisa acompanhou 56 pacientes com transtorno bipolar dos tipos I e II. Eles foram divididos em quatro grupos principais, conforme o número e a gravidade dos episódios prévios ao tratamento combinado.

Os resultados apontam uma melhora significativa no quadro clínico dos pacientes após a introdução da REAC:

  • Grupo 1 (alta frequência de episódios maníacos e depressivos): Antes da REAC, a média anual era de 2,1 episódios maníacos e 3,0 depressivos por paciente. Após o início do tratamento combinado, os episódios maníacos caíram para 0,12 e os depressivos para 0,8 por paciente, demonstrando uma queda expressiva e estatisticamente significativa.
  • Grupo 2 (histórico de episódios menos frequentes, mas com recaídas recorrentes): Os pacientes apresentaram melhora importante na estabilidade clínica, com intervalos mais longos entre os episódios e redução acentuada da necessidade de intervenções adicionais.
  • Grupo 3 (casos resistentes à monoterapia com lítio):  Mesmo com histórico de baixa resposta ao tratamento convencional, os pacientes deste grupo demonstraram melhora significativa após a introdução da REAC. Ou seja, houve diminuição dos sintomas de humor e eliminação da necessidade de hospitalizações durante o período de acompanhamento.
  • Grupo 4 (pacientes com histórico recente de tratamento instável e instabilidade emocional persistente): Este grupo mostrou melhora clínica gradual e progressiva ao longo dos meses, com redução sustentada dos sintomas, estabilização do humor e aumento dos períodos de remissão, mesmo em pacientes com quadros flutuantes nos anos anteriores.

Impactos positivos do REAC-lítio no controle do transtorno bipolar

O estudo observou não apenas a redução no número de episódios. Também foi registrada uma melhora na estabilidade emocional e funcional dos pacientes. Houve ainda intervalos mais longos de remissão e maior tolerância ao tratamento.

Assim, durante o acompanhamento com REAC-lítio, não foi registrada nenhuma hospitalização. Os pacientes também relataram melhora na qualidade de vida. Houve ganhos no bem-estar mental, além de avanços na rotina social e profissional.

Segundo os autores do trabalho, a eficácia do REAC pode estar relacionada à sua capacidade de promover uma melhor sincronização neural. Afinal, ajudaria a reduzir a instabilidade neurobiológica típica do transtorno bipolar. A neuromodulação REAC potencializa a ação do lítio, favorecendo o funcionamento global do cérebro e diminuindo a necessidade de ajustes frequentes na medicação.

Perspectivas da tecnologia REAC

O estudo destaca a relevância dessa abordagem inovadora, primordialmente, diante da resistência a medicamentos observada em muitos casos de bipolaridade. A associação entre REAC e lítio surge como uma alternativa promissora, sobretudo, para o controle das fases maníacas e depressivas. Também contribui para a prevenção de recaídas e hospitalizações. “O REAC mostrou boa eficácia no tratamento das fases maníaca e depressiva do transtorno bipolar, além de prevenir recaídas”, concluem os autores no estudo.

A tecnologia REAC continua em avaliação para outras condições neurológicas e psiquiátricas. Os dados atuais, no entanto, reforçam seu potencial como ferramenta complementar no manejo do transtorno bipolar. Para saber mais acesse. Assista aqui um vídeo sobre o estudo.

Foto: Engin Akyurt/Pexels